Nos bancos, mulheres estudam mais, ganham menos e têm menos promoções

sexta-feira, 8 de março de 2019

Estudo assinado pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) acerca das Políticas de Diversidade nos Bancos

 

Devido ao grande esforço do sindicalismo bancário no Brasil, o tema da igualdade de oportunidades é pautado nas campanhas nacionais e nas mesas de negociação desde o final dos anos 1990.

Já em 2001, o Dieese produz, a pedido da CNB/CUT um estudo sobre a realidade do trabalho e a identificação da composição e do perfil dos trabalhadores do sistema financeiro brasileiro, Os Rostos dos Bancários. A pesquisa revela traços da contundente discriminação de raça e gênero presente no setor.

É neste ano que é conquistada a Mesa de Igualdade de Oportunidades, que funciona até hoje. Desde então, foram conquistadas cláusulas importantes em convenção coletiva, como Isonomia de Direitos para Homoafetivos, extensão da licença-maternidade para 180 dias, da licença paternidade para 20 dias, vinculada à programa ou atividade de orientação sobre a paternidade responsável e a realização de três censos da diversidade aplicado a todos os bancos em parceria com a Contraf-CUT.

Este histórico demonstra que houve avanços nos diagnósticos e na implementação de Políticas de Igualdade, sobretudo por meio de Cláusulas na Convenção Coletiva Nacional dos Bancários. Porém, em sua gestão os bancos ainda exercem políticas de gestão impregnadas por uma visão discriminatória.

Segundo os dados mais atuais da Relação Anual de Informações Sociais 2017 (RAIS), o setor bancário brasileiro tem 467.686 trabalhadores, dentre os quais, 49,0% são mulheres. Elas possuem alta escolaridade: 83,8% completaram o ensino superior e 8,5% estão cursando, porém, recebem remunerações 22,3% inferiores à dos homens.

As mulheres são maioria nas faixas de idade entre 17 e 39 anos, mas após os 40 tornam-se minoria no setor. A faixa etária com maior concentração de mulheres é aquela entre 30 e 39 anos, com 42,8% do total e 65,8% das bancárias possuem menos de 40 anos.

Nos bancos públicos, as mulheres representam 42,6% dos empregados e, nos bancos privados, são a maioria entre o total de trabalhadores (54,1%). Porém, quando se analisa por faixa etária, o predomínio de mulheres nos bancos privados está concentrado nas faixas de idade até 40 anos, em que as mulheres representam 56,4% do total. A partir dos 40 anos de idade, os homens são maioria nos bancos privados e a participação das mulheres cai para 48,6%. Essa tendência é menos aguda nos bancos públicos, nos quais as mulheres até 39 anos representam 44,3% dos trabalhadores nestas faixas de idade e as mulheres com quarenta anos ou mais representam 40,8% dos trabalhadores nessas faixas de idade. Isso significa que os bancos privados, embora utilizem mais a força de trabalho feminina, também são mais propensos à demissão de mulheres com mais de 40 anos.

A saída precoce de mulheres dos bancos pode ser reflexo tanto da dificuldade de obterem promoções e de terem acesso a cargos de maior prestígio e remuneração quanto da preferência dos bancos pela presença de jovens em seu quadro de funcionários. Esse fato é verificado para mulheres e homens, mas o fator idade pesa mais sobre elas.

Os dados revelam, portanto, que não se pode falar em uma mudança de rota efetiva na gestão dos bancos. Hoje mulheres são excluídas dos cargos de comando, o que dificulta a incorporação de práticas não discriminatórias por parte de dirigentes, gestores intermediários e supervisores.

Esta visão é ainda comprovada pelos dados disponíveis nos relatórios de sustentabilidade dos bancos: O Itaú Unibanco, em seu mais recente relatório de sustentabilidade (2017), afirma possuir diretrizes específicas, como a Política de Inclusão de Pessoa com Deficiência, o Programa Aprendiz e a Política de Direitos Humanos. Por meio de seminários, treinamentos e comunicação interna (palestras, materiais disponibilizados na intranet e vídeos), afirmam demonstrar a importância da valorização da diversidade sexual, de gênero, de etnia/ raça, de Pessoas com Deficiência (PCD), geração ou crença.

Porém, quando se analisam os dados referentes à participação de mulheres em postos de gestão e comando no banco, a discriminação de gênero ainda é patente. O número de mulheres na diretoria do banco é 15, frente à participação de 103 homens nestes cargos. O mesmo se repete ao analisarmos o relatório de sustentabilidade do Banco Bradesco.

A despeito da declarada adesão a políticas de promoção da diversidade, os indicadores não revelam avanços. Somando diretoria e conselho de administração, tem-se a participação de apenas 7 mulheres e de 129 homens. No Banco Santander, as mulheres representam apenas 20,2% da diretoria. Na Caixa Econômica Federal, a participação de mulheres em cargos de dirigentes foi de 2,70% em 2017, o que significa queda de mais de 10 pontos percentuais em relação a 2015, quando era de 13,51%. Já a participação de mulheres negras foi de 0,00% nestes cargos. No Banco do Brasil, as mulheres representam somente 4,84% dos cargos de comando.

 

Avalie aqui o seu banco e confira também o resultado na íntegra do tema Igualdade de Gênero.

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