Responsabilidade ambiental dos bancos deve ser pauta prioritária na COP 26

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Guia dos Bancos Responsáveis assina carta enviada a Mark Carney, representante para ação climática e finanças da ONU na conferência do clima.

Crédito: iStock

O Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), coordenado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), assinou uma carta em defesa da responsabilidade ambiental dos bancos direcionada à Mark Carney, representante especial para ação climática e finanças da ONU na COP 26, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que começa no próximo dia 31, em Glasgow, na Escócia.

O documento, assinado conjuntamente por outras organizações da sociedade civil, entre elas, Fair Finance International, da Oxfam Novib, BankTrack e 350.org, pede que, durante o evento, ações concretas sejam tomadas sobre responsabilidade das instituições financeiras em todo o mundo com as mudanças climáticas. 

Entre as principais medidas estipuladas no documento estão a redução do financiamento a fontes fósseis com metas mensuráveis até 2030; a proibição do financiamento a novos projetos de fontes fósseis; zerar o financiamento às térmicas à carvão; assegurar o consentimento prévio, livre e informado de comunidades afetadas, especialmente indígenas, por atividades financeiras.

"É imprescindível que a responsabilidade dos bancos com as mudanças climáticas esteja em pauta na cúpula do clima. O mundo todo ainda caminha a passos lentos em direção à maior pressão de investidores e acionistas sobre as consequências de suas ações no meio ambiente e isso por si só já deveria ser preocupante", afirma Ione Amorim, coordenadora do GBR e do programa de Serviços Financeiros do Idec. 

No Brasil, a situação não é diferente. A mais recente avaliação de políticas de responsabilidade socioambiental dos nove maiores bancos do país, realizada a cada dois anos pelo Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), mostrou que as instituições financeiras minimizam o investimento em atividades de impacto socioambiental. 

De modo geral, o estudo aponta que os bancos mantêm investimentos em combustíveis fósseis, apesar do aumento em aportes direcionados para fontes de energia limpa e renovável. 

Entre os bancos analisados no Brasil estão Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, BV, Caixa, Itaú, Safra, Santander e BNDES. No estudo do GBR, estes nove bancos pontuaram com uma média de apenas 14% no tema de Mudanças Climáticas. 

Você pode acessar a avaliação de políticas 2020 aqui

Sobre o Guia dos Bancos Responsáveis (GBR)

O Guia dos Bancos Responsáveis (GBR) é composto por uma coalizão de organizações da sociedade civil liderada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e integrada por Conectas Direitos Humanos, Instituto Sou da Paz e Proteção Animal Mundial. Uma das principais atividades do GBR envolve uma bianual avaliação de políticas de responsabilidade socioambiental e climática. 

Nela, utiliza-se uma metodologia de avaliação adotada em comum entre treze países, integrantes da Fair Finance International (FFI). Trata-se de uma rede internacional iniciada em 2009 e integrada por mais de 100 organizações da sociedade civil, coordenada pela Oxfam e financiada pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento (Sida). 

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