Diligência Fragilizada: Banco do Brasil financia empreendimentos com embargo por desmatamento

16 dezembro 2025
CRÉDITO RURAL FINANCIANDO A DESTRUIÇÃO?

O novo estudo "Crédito Rural e Risco Ambiental: desafios do financiamento sustentável no campo" expõe uma falha grave na diligência socioambiental de grandes instituições financeiras.

Em uma investigação aprofundada conduzida pela Proteção Animal Mundial (World Animal Protection), foi descoberto que o Banco do Brasil (BB) concedeu R$ 1,4 milhão em crédito rural para a compra de 1.019 cabeças de gado na Fazenda São Francisco, localizada no Pantanal, em dezembro de 2021. O mais alarmante é que este financiamento ocorreu meses após a propriedade ter sido embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal de 96,74 hectares de vegetação nativa,.

O objetivo deste trabalho é ir além do caso individual, expondo a fragilidade estrutural dos mecanismos de controle no crédito rural brasileiro. O financiamento de uma atividade econômica  em uma área legalmente embargada pelo Ibama sugere que os recursos públicos (como o FCO, Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) podem estar sendo direcionados a empreendimentos com irregularidades socioambientais,.

A investigação da Proteção Animal Mundial revela que o problema não se limitou ao Pantanal, mas é um desafio recorrente que se traduz na autuação ao Banco do Brasil pelo IBAMA ,em 2025, no âmbito da  “Operação Caixa-Forte”, por financiar propriedades embargadas no bioma Cerrado.

É crucial que as instituições financeiras fortaleçam a devida diligência, com atenção especial aos bancos públicos, como o Banco do Brasil, que, pelo seu papel institucional devem liderar e dar o exemplo na garantia de que financiamentos e investimentos promovam práticas verdadeiramente sustentáveis, em conformidade com as leis ambientais e com políticas de responsabilidade socioambiental.